CONSTRUÇÃO E REGIONALISMOS

26/06/13

Para Kenneth Frampton, o edifício, é em primeiro lugar um acto de construção, um processo tectónico e não uma actividade cenográfica. Nesta medida Frampton define a “essência” da arquitectura sustentada no entendimento de que a estrutura do edifício é em si mesmo a essência da forma arquitectónica. Reconhecidamente um pensamento de finais do século XX, mas que cada vez mais, perante o descontrolo das massas consumistas e ávidas da imagem, tende a ser esquecido e talvez actualmente ajustado à nossa realidade mediterrânea. O cuidado pelo que é nosso deverá ser adaptado a linguagens actuais e comummente aceites, onde “a promoção de valores de registo local, ao nível da linguagem internacional” deverão ser potenciados clarificando a nossa atitude na construção e na escolha das técnicas construtivas ou materiais a implementar. Pretende-se clarificar, mais do que aceitar uma universalização cultural, é de todo imperativo uma profunda validação dos valores culturais regionais que tem de ser reavivados perante uma consciente adaptação da internacionalização mediática. Cada vez mais, conceber uma arquitectura moderna alheia a linguagens, movimentos e a modas é mais difícil, não só pela pressão económica do “construir rápido”, mas pela impreparação dos quadros técnicos que se rendem ao facilitismo da “renderização” produzindo consequentemente objectos imaturos e descontextualizados da sua realidade! 


O protótipo do arquitecto moderno coloca, a meu ver, um tremendo ênfase sobre a “skin” do edifício, desleixando a estrutura que incorpora, a forma tectónica e os aspectos espaciais do edifício. Começam a carecer os edifícios contemporâneos compostos pelo “espaço da aparência” que Hannah Arendt define. Perante esta realidade, actualmente, assistimos a um desenvolvimento a uma espécie de tectónica com um potencial baseado na construção através de processo e mecanismos suportados por rigor tecnológico e geometria complexa baseada em desenhos paramétricos.


O adequado detalhe construtivo e a justa aplicação do material para cada situação, em oposição à definição da ideia da imagem e espaço, são hoje um desafio para a determinação de novas formas de representação tectónica. A cultura arquitectónica ainda olha para esta perspectiva Heideggeriana enquanto uma crítica tecnológica e relutante em abraçar a tecnologia digital, contudo apesar da compreensão dos sistemas construtivos e da sua eficiência na produção de imagens não podemos permitir que o actual extenso mar de possibilidades construtivas nos encadeie e permita que a expressão arquitectónica se sujeite a modas em desrespeito do homem habitante.

26_06_13
Pedro Novo