MOÇAMBIQUE E JOSÉ FORJAZ

11/11/13

O regime ditatorial foi determinante no percurso da sociedade portuguesa no principio do séc.XX, tendo uma forte presença na pedagogia da arquitectura durante este período. A politica da encomenda proporcionou obras de grande envergadura e emblemáticas para a época em alguns dos casos.

 

No entanto o advento do modernismo, através dos CIAM e com algumas influencias modernistas brasileiras, proporcionou que ao pouco dinâmico imaginário formal imperial, um novo caminho através das novas gerações de 40. No caso concreto de Maputo, “Pancho Guedes” é a maior referencia e talvez a obra que marca de forma indelével a paisagem da cidade pela sua excentricidade relativamente ás convenções de época. Contudo depois da independência em 75, este ritmo esmorece e a qualidade arquitectónica da antiga Lourenço Marques abranda. As objectivas das publicações da especialidade deixam de estar viradas para África apesar de algumas personagens de relevo continuarem na sua senda de mérito. Um dos maiores exemplos é José Forjaz, com a pacificação do território, constitui uma obra interessante e consubstanciada na observação do território moçambicano (lugar e paisagem), nas lógicas construtivas vernaculares, nas orgânicas tipológicas e fundamentalmente nos valores do lugar e do grupo social onde está inserido.

José Forjaz nas duas ultimas décadas produziu uma obra no território moçambicano talvez pouco revisitada e analisada pela critica. Obra complexa que abrange os mais diversificados programas e níveis de escala, nomeadamente edifícios residenciais, públicos, religiosos, escolas ou monumentos. Com um percurso que pisa territórios influenciados por Barragan ou Charles Correa contudo a formação portuguesa não o inibe de beber do imaginário modernista brasileiro. Apresenta uma abordagem ao lugar e programa proposto de uma extrema sensibilidade e reconhecimento da envolvente quer na escolha dos materiais e sua conjugação, quer no controlo da luz e condução da mesma na definição de hierarquias. A economia de recursos é utilizada numa inversão exponencial à sua capacidade de produção de complexidade espacial como são exemplos disso a Escola profissional dos Salasianos de Matundo ou a Residência Torcato em Maputo.

 

O Mosteiro das Clarissas em Namaacha, a residência João Pó e a  Astrid Fion em Maputo são três obras determinantes na definição do perfil do arquitecto que produz uma obra que marcará de forma indelével o território moçambicano. Com um profundo enraizamento na cultura moçambicana, José Forjaz define actualmente um relevante caminho no panorama arquitectónico africano, como diria Mia Couto, “é para isso que servem os caminhos, para nos fazerem parentes do futuro”. 

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Pedro Novo