O PROCESSO

27/09/14

O lugar do arquitecto enquanto actor responsável na definição e determinação da composição urbana, é entendida por muito de espaço de responsabilidade e embebido de uma auréola “social”. O papel social é determinado ou entendido, por estes, no enquadramento de um valor acrescentado, algo mais do que aquilo que lhe é intrínseco enquanto executor dos actos próprios da profissão. Nada mais errado! Teremos de colocar em cima da mesa conceitos que estão inerentes à responsabilidade dos actos da profissão e a princípios éticos que devem reger as nossas tomadas de posição enquanto profissionais. O poder intervir no espaço urbano e dessa forma alicerçar os níveis de qualidade de vida de uma comunidade em patamares superiores ou a introdução de processos tectónicos sustentáveis na edificabilidade da construção, não faz do arquitecto mais social do que os demais! O “social” é um problema de consciência e responsabilidade com o qual nos deparamos diariamente, contudo o conceito está na ordem do dia, em conferências, media e discussão no seio dos arquitectos. O paradigma mudou e o eco cedeu o lugar ao social. Os chavões da “sustentabilidade”, “ecologia”, “reciclar”, “reutilizar” dão hoje lugar à “participar”, “activismo”, “liberdade”, “comunidade” e “democracia”. A nossa realidade é pródiga neste tipo de processos de participação, onde o Serviço Ambulatório de Apoio Local (SAAL) foi importante na década de 70. O arquitecto à época encontrou condições sociais e politicas que permitiram o desenvolvimento de uma arquitectura sustentada em processos de participação das comunidades. Face à actual emigração e a disseminação de arquitectos por territórios com poucos recursos económicos (Ásia e África), esta nova geração passados 40 anos, volta a poder desenvolver arquitectura substanciada em processos de partilha e construção conjunta com as comunidades. Através da análise e entendimento da comunidade em processos de participação activa, devemos reconhecer e valorizar o património humano e físico destes novos territórios de gente. A transformação social implica envolvimento.

27_09_14
Pedro Novo